21 fevereiro 2018

O relacionamento entre sionismo e Arábia Saudita - Parte I

Ao falar da actual situação do Médio Oriente, há algumas perguntas às quais não é simples responder,
a mais importante das quais é a seguinte: por qual razão a Arábia Saudita não apoia e ajuda de forma concreta a resistência palestiniana na luta contra israel?

Sabemos que o mundo árabe não é algo monolítico: há fracturas interiores, principalmente entre  a corrente sunita e a xiita. É esta a principal razão oficial do choque entre a Arábia (sunita) e o Irão (xiita). Todavia, os palestinianos são maioritariamente sunitas: não deveria a casa de Saud suportar de forma muito mais concreta o desejo de criação dum Estado autónomo contra o "odiado inimigo" israelita?

E mesmo que a Palestina fosse xiita: não faria mais sentido apoiar os irmãos islâmicos em vez de aliar-se com as forças "infiéis" americanas e hebraicas de israel?  

Podemos dar uma simples resposta pragmática: ao apoiar a causa da Palestina, os sauditas perderiam o apoio de Washington, o principal cliente do petróleo árabe, a verdadeira fonte de riqueza deles. Uma explicação que faz todo o sentido. Mas há uma outra também.

20 fevereiro 2018

Bancos suíços: o dinheiro saudita fica

Mohammad Bin Salman
Notícia extremamente interessante da Suíça: vários bancos helvéticos recusaram o pedido da Arábia Saudita para confiscar e transferir a riqueza dos príncipes sauditas detidos após a purga "real" dos últimos meses, uma purga que tinha sido conduzida sob a direção do Príncipe Herdeiro Mohammad Bin Salman.

Lembramos que no passado Novembro uma centena de figuras influentes da Arábia Saudita, incluindo príncipes, altos oficiais e empresários, tinham sido presos e detidos num hotel de Riad sob o pretexto da luta contra a corrupção. Na verdade, o objectivo de Bin Salman era outro: uma conspiração de Palácio ditada também pelo interesse do príncipe em apropriar-se do dinheiro dos seus possíveis rivais políticos.

19 fevereiro 2018

A Síria não utilizou armas químicas

O que diz o Secretário da Defesa dos Estados Unidos? Diz que não há provas de que na Síria Assad tenha usado armas químicas.

Após muitas narrativas únicas e tendenciosas, Washington finalmente admite que não tem evidências de que Bashar al-Assad tenha usado armas químicas.

A investigação da ONU sobre os factos de Khan Sheikhoun não tem validade científica: realizada não com especialistas no local mas com a ajuda de imagens satelitares e declarações de ativistas ligados à "oposição moderada".

18 fevereiro 2018

Da inteligência


O que é a inteligência? É uma boa pergunta, sobretudo considerando que, até a data, ainda não foi formulada uma definição partilhada por toda a comunidade científica.

Uma tentativa vem de cinquenta e dois reunidos no Mainstream Science on Intelligence, assinada em 1994:
Uma capacidade mental bastante geral que, entre outras coisas, envolve a habilidade de raciocinar, planear, resolver problemas, pensar de forma abstrata, compreender ideias complexas, aprender rápido e aprender com a experiência. Não é uma mera aprendizagem literária, uma habilidade estritamente académica ou um talento para sair-se bem em provas. Ao contrário disso, o conceito refere-se a uma capacidade mais ampla e mais profunda de compreensão do mundo à sua volta - 'pegar no ar', 'pegar' o sentido das coisas ou 'perceber' uma coisa.
A inteligência é isso, mas não só isso.
E se não formos capazes de concordar acerca do que é uma coisa, imaginem o que se passa na altura de medi-la. Mesmo assim, os homens pensam nisso há mais de um século.

Parkland & Fort Meade: coincidências, óbvio

Um dia antes do massacre na escola da Florida, outro facto enigmático aconteceu na sede da Agência Nacional de Segurança, a famosa NSA, em Fort Meade, Maryland.

Três homens não identificados lançaram um SUV preto contra a entrada; os guardas dispararam. Algumas pessoas foram levadas para o hospital por lesões, mas, aparentemente, não de armas de fogo. Dos três ocupantes do veículo, dois estão "sob custódia da NSA", o terceiro (o motorista) no hospital.

17 fevereiro 2018

Comunicação de serviço: moderação dos comentários

Causa aumento da actividade de trollagem sou obrigado a introduzir a moderação dos comentários. Lamento, mas a internet é o espelho da sociedade: idiotas nunca faltam.

Duas notas positivas:
  1. hoje haverá alguém feliz. "Epá, que cena meu, consegui que o autor do blog introduzisse a moderação dos comentários, sou o maior!". Realmente és, parabéns.
  2. contrariamente ao que pensava, o blog é limitado mas não ao ponto de passar despercebido. E alguém até fica irritado com isso. Mais uma razão para continuar, não acham?
Para ter uma ideia do que estamos a falar, deixei visível o último comentário do idiota no artigo anterior. Quando o idiota terá migrado para outras bandas, a moderação será novamente eliminada.
Grato pela compreensão.


Ipse dixit.

16 fevereiro 2018

Bangladesh: o arsénico das Nações Unidas



Nos anos '70, as Nações Unidas pediam fundos para um grande projecto: dar água aos habitantes do Bangladesh, já na altura um dos Países mais pobres do planeta. Com a ajuda também do Banco Mundial, o projecto passou do papel para a realidade: milhões de furos foram escavados e a água alcançou as populações. Começou assim o maior envenenamento na história da humanidade, cujas consequências ainda não podem ser determinadas com exatidão.

Até 20 milhões de pessoas em Bangladesh correm o risco de sofrer mortes precoces por causa do envenenamento por arsénico: é este o legado do projecto humanitário pessimamente planeado, que criou uma devastadora catástrofe de saúde pública.

15 fevereiro 2018

Democracia: o sistema de Schumpeter

O que é a Democracia moderna?

A definição dum dicionário online (Dicio):
Governo em que o povo exerce a soberania.
Outro (Priberam):
Governo em que o povo exerce a soberania, directa ou indirectamente.
Vamos ouvir também o antigo Presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln:
Um governo do povo, a partir do povo e pelo povo.
Sim, tudo muito útil, mas procuram algo um pouco mais completo. O constitucionalista Gustavo Zagrebelsky, por exemplo:
A democracia é o contínuo trabalho de destruição das oligarquias que governam o País, com a precisa consciência de que a uma oligarquia destruída seguirá imediatamente a formação de outra, composta por aqueles que destruíram a primeira.
Excelente definição, muito mais próxima da realidade. Mas Zagrebelsky é um jurista: o que pensa um economista, alguém que trata dum sector que demasiadas vezes tem uma influência determinante na condução das políticas nas modernas democracias? Falamos de Joseph Schumpeter.

Os 10 Países mais pobres do mundo

Quais são os Países mais pobres do mundo?

De acordo com os últimos dados disponíveis, publicados pelo site da CIA, das primeiras dez posições bem nove são ocupadas por Países africanos.

Em particular, por aqueles Países que podem ser encontrados na África subsaariana. Uma área enorme, de 24 milhões de quilómetros quadrado: 2.5 vezes a Europa, superior ao tamanho da América do Sul. Aí mora cerca de um bilhão de pessoas e 42.7% deles sobrevivem com menos de 2 Dólares por dia.

14 fevereiro 2018

Placidus ataca a Síria e mata S. Valentim: EUA em crise

Hoje é o Dia dos S. Valentim, dia dos namorados.

S. Valentim havia celebrado o casamento entre a cristã Serapia e o legionário romano Sabino, que era pagão: a cerimónia ocorreu rapidamente, porque a jovem estava muito doente e, de facto, os dois cônjuges morreram juntos logo que Valentim acabou de abençoa-los.

A seguir morreu também S. Valentim, decapitado pela mão do soldado romano Furius Placidus, sob as ordens do imperador Aureliano. Praticamente um massacre. Doutro lado, se não houvesse dor e sofrimento nem seria coisa de Igreja.

Ficamos em tema e falamos da guerra na Síria.

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